A Crise dos Livros

Eu e a Escrita

A Crise dos Livros: Mito ou Realidade?

Num Site e Blogue sobre livros e leituras, nunca é de mais tocar nesta temática.
Afinal, será que existe uma real crise no mercado dos livros, ou a situação tem sido, em geral, exagerada por quem se move no meio?
A resposta é: a crise não é um mito e, todos os dias, mostra a sua faceta.

Eu e a Escrita

A história de uma Feira do Livro

Tive a oportunidade de visitar por estes dias a Feira do Livro de Braga, que congrega autores, leitores, editores e alfarrabistas que ainda mantêm viva, a última réstia de esperança neste mercado. Digo isto, porque quando lá fui, no horário pós-laboral, não se viam praticamente visitantes a circular por entre os pavilhões. A uma certa hora até, a feira estava totalmente deserta.
Nunca é de mais, sublinhar os aspetos práticos deste negócio, sobretudo se não o encararmos como ele é, se queremos que sobreviva: um negócio. Sim, um negócio com alma e espírito, mas ainda assim um negócio.
Entristeceu-me bastante, ver ao ponto a que chegamos, no que toca aos livros e na sua submissão a outras formas de entretenimento, embora a cultura esteja, de forma geral, quase moribunda. É apreciável o esforço de colocar os livros à venda ao preço da chuva, sobretudo porque dinheiro é coisa que não abunda nos bolsos dos portugueses, mas ainda assim, este é um terrível prognóstico acerca deste mercado.

Eu e a Escrita

Que futuro para os livros?

Compreendo que exista uma visão romântica em torno dos livros, com a inspiração a tomar um lugar de destaque. Qualquer um de nós, imagina sempre um escritor, com vista para as montanhas, bafejado por um dom divino, que lhe traz tons de lucidez, não partilhado com os comuns dos mortais.
Hoje em dia, esta ideia não podia estar mais longe da realidade.

Eu e a Escrita

Passos para reanimar o doente

O primeiro passo para a reanimação do mercado livreiro, começa por uma série de
passos, que não seguem necessariamente uma regra cronológica, mas que devem ser seguidos em simultâneo. É perigosa a ideia romântica, vitoriana, associada aos livros que nos leva a aceitar, com facilidade, que devemos todos continuar a viver parcimoniosamente daquilo que os livros nos dão.
Assim, se existiram autores no século XIX, por exemplo, que tiravam da boca para subsidiar os seus romances, no limite, devemos continuar a aceitar esta condição para ingressarmos um dia, no pódio dos autores reconhecidos. Um negócio do século XXI, não pode continuar a viver, com base nestas memórias do passado. Os leitores querem continuar a ler bons livros, mas para isso, é necessário que, quem os escreve, quem os publica e quem os divulga, não viva debaixo de um carvalho, com uma caneca e um pote, para apanhar as águas das chuvas. Também não podemos esperar, que as pessoas se interessem pelos livros, se estes não têm visibilidade nos meios de comunicação. Ou se a oferta, partilhada com o público, não integra certo tipo de pacotes, ao nível da cultura.

O esforço, para a reanimação dos livros, é complexo, leva anos e toma muito tempo e
trabalho. Acredito, que nem todos estejam para isso, sobretudo porque se calhar, os
efeitos apenas se vão ver, depois de partirmos deste mundo.

Eu e a Escrita

Soluções à vista?

Se a crise dos livros não é um mito, mas sim uma realidade, obrigando a um grande trabalho de fundo, que poderá ultrapassar a nossa geração, é natural que muitos apenas queiram apreciar o caminho. Por enquanto, a vida humana ainda não se estendeu o suficiente, para vermos certos acontecimentos a acontecer, depois de tomarmos decisões, que podem realmente, levar muito tempo a tomar a sua forma prática. Esta é, também, uma das belezas do livro: permite-nos olhar para os passos da Humanidade, ou pelo menos conhecer algumas das suas vitórias e derrotas, numa centena de páginas.

Só por isso, o livro deveria ter um pódio só para ele.
Acho que os meios de comunicação têm um papel crucial nesta revitalização do mercado dos livros, oferecendo mais programas culturais a todo o público, num horário que permita a disseminação, dos “interesses”. Autores e editores, devem apostar no discurso prático do livro, e não apenas nas suas valências espirituais, já conhecidas de todos nós: se queremos que nos levem a sério, temos que mudar a abordagem. A internacionalização da palavra escrita, faz parte do processo de reanimação do livro, porque tal como qualquer outro produto, temos que perceber (sobretudo num país como Portugal), que vivemos num mundo global. A palavra hoje em dia, não tem que estar enclausurada numa gaiola; hoje tem asas para voar, mas temos que perceber, que o investimento faz parte do processo. Isso leva-me ao último tópico: tudo implica investimento, seja de dinheiro, trabalho ou
tempo. Desde que o ónus desse investimento não recaia sempre sob os mesmos, este é necessário, para que não percamos o comboio da modernidade.

Eu e a Escrita

Últimas observações

Se quiserem partilhar as vossas opiniões/ visões sobre o mercado dos livros – porque o primeiro passo é sempre, ouvir as pessoas – podem sempre contactar-me através das redes sociais.

Espero que este texto tenha sido útil, como mais uma reflexão em torno do tema da crise dos livros. Não é apenas importante diagnosticar o problema, como também receitar o medicamento certo para a patologia.

Vamos fazer parte da mudança?