Sob a Lente do fotógrafo – a minha experiência

Curiosidades e medos

Sob a lente de um fotógrafo, a experiência de ser fotografada profissionalmente, pela primeira vez, num estúdio fotográfico recheado de roldanas, máquinas, e papel num ambiente pela maioria de nós desconhecido, pode consistir uma experiência interessante para ser contada mais tarde.

Foi o que me sucedeu, quando me lancei neste projeto de lançamento do meu website. Na construção do mesmo, tornou-se necessário, e mais do que pertinente, usar uma fotografia minha, profissional, que pudesse evidenciar aos outros, a minha verdadeira essência. Nunca é um trabalho fácil, este o de nos sujeitarmos a esta exposição da nossa imagem (falo por mim), e sobretudo, de convidarmos a naturalidade, e o nosso verdadeiro “eu”, para uma sessão destas.

Os fracassos e os erros por detrás de uma bela fotografia

Tive a sorte de poder ser fotografada pelo Rui Bessa, um excelente fotográfico residente em Coimbra, com vasto reconhecimento nacional e internacional.

Depois de uma viagem de carro, entre Lisboa e Coimbra, que demorou cerca de uma hora e meia, cheguei ao estúdio do Rui, com algum nervosismo, mas curiosa quanto ao desenrolar de todo o processo. Na preparação, tinha que me maquilhar. Para muitos, isto pode parecer um acontecimento muito singelo, mas para mim, que não tenho por hábito maquilhar-me no meu dia a dia, foi literalmente confrontar-me com algo, que eu enquanto mulher, podia estar mais acostumada, mas que não estou.

Já na casa-de-banho, onde troquei de roupa (escolhi um macacão azul bebé, para condizer com as cores da minha marca), passei então por esse processo, para mim um pouco desconhecido. Saber onde se aplicar o pó dos olhos e o blush, para realçar a luminosidade do rosto, é algo que para mim, ainda faz parte dos mistérios da vida.

Decidi então começar pela base, e tentei espalhá-la, de forma uniforme pelo rosto e pelo pescoço. Mas, qual azar de principiante, uma gota caiu mesmo em cima do meu macacão azul, que era suposto ser a estrela da festa! Já a demonizar o deslizamento da “perfeição”, surgiu logo de seguida a Cátia, para me orientar – e dar apoio moral – ao momento. Com habilidades ganhas no teatro, em funções de gestão das vestimentas, usou dois alfinetes que eu tinha comigo (para ajustar as bainhas do macacão), para mascarar a situação, colocando a mancha da base mesmo por detrás do tecido, tornando-a assim invisível! Graças a este sim, perfeito improviso, pude respirar de alívio, e ganhar a minha salvação.

Naturalmente, que quem olha estas belas e profissionais fotografias no meu website, não imagina a noite mal dormida que tive naquele dia, por causa da ansiedade ou do joelho em ferida, devido a uma queda há uma semana, que me fez chegar a Coimbra a coxear. Da mesma forma, que não pode adivinhar, que existe um remendo bem habilidoso, naquele macacão, porque houve um azar ao aplicar a base, que me manchou a roupa. O meu ar é, bem pelo contrário, limpo e salutar e esconde bem as pequenas dificuldades, os erros e os falhanços, que nos permitiram chegar a este resultado final. Conto-vos tudo isto, porque somos todos humanos, porque o acidente está ao virar da esquina, a imperfeição em cada gesto, e o azar é a nossa sombra…simplesmente, porque existimos.

A receita de sucesso é a naturalidade

Ao som da música do fado, que o Rui pôs a tocar, para extrair de mim, expressões mais introspetivas, e depois de toda a conversa com a Cátia, onde lhe contei várias histórias da minha vida, foi possível captar uma parte de mim, que eu desconhecia.

Ao ver as fotografias finais, fiquei admirada com o facto, de nunca ter conhecido, ou me ter dado conta, de algumas expressões, que são minhas. Havia, portanto, um lugar longínquo da minha existência, do qual eu estava totalmente alheia. E é, por isso mesmo que voz digo, que vale a pena – pelo menos, uma vez na vida – participar de uma sessão fotográfica, onde se possam sentir à vontade. O que podem descobrir depois, pode ser uma verdadeira surpresa.