Sonho de uma vida autêntica

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O Conto “A Luz de Marva”

Foi preciso um pouco para decidir, se este breve artigo deveria ser incluído no meu Diário espiritual, recheado de histórias de vida variadas, ou no meu processo de escrita. Decidi escolher o primeiro caminho, porque tenho algo para vos contar acerca dos passeios e das viagens que tenho feito nos últimos anos e que me levam ao sonho de uma vida autêntica.

Quando decidi escrever “Hipnose, o Regresso ao Passado”, tive a ideia de publicar também um pequeno conto. Queria, sobretudo, aproveitar a oportunidade, para escrever uma história sobre uma vila em Portugal chamada Marvão, que conheço e amo desde criança, e que me tem inspirado estes anos todos, até à vida adulta.

Nas minhas linhas de ficção, dou-lhe o nome de “Marva”. Assim surgiu o conto: “A Luz de Marva: a história antes de Jasmine”.

A ideia era contar a jornada de Jasmine por estas terras, em busca de um sentido e de uma energia de vida, que lhe devolvesse o poder, para ela adivinhar o futuro. Foi natural para mim, mencionar locais e nomes que estão habitualmente ligados a esta região, pois viajei muito até Marvão, e conheço a maioria dos seus mais secretos recantos.

Como podem ver, os passeios e as viagens por este mundo, tendem a trazer todo o tipo de influência para a Arte. São fundamentais mesmo, para quem procura a inspiração.

espiritualA procura por uma vida autêntica

Conhecer sítios, que nos surpreendem pela sua beleza e silêncio, é algo que está apontado no meu Diário de bordo. Gosto do isolamento que certos locais me fazem sentir, porque sinto aqui, uma maior ligação com um mundo, que transcende o meu. Para alguns, esta sensação pode ser avassaladora e incomodativa, mas para mim, é de uma beleza enorme. O mistério de certas terras fascina-me a atrai-me.

O facto de talvez, ter sempre vivido na cidade, fez-me desejar ter uma vida autêntica: uma rotina mais ligada à natureza, menos material, com mais tempo de qualidade e mais tempo para viver e para escrever. Foi sob o título “Sonho de uma Vida autêntica” que escrevi o ano passado, os contornos de uma viagem a Marvão.

Espero que gostem.

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A Viagem à autenticidade: o Azeite

Era o último dia do ano e conduzimos o carro, por entre temperaturas de 1 grau, em direção a um vale, que desconhecia na região do Alentejo. Poucos são os portugueses que se lembrariam de, no dia 31 de dezembro, nas vésperas de um novo ano, de visitar o Lagar Museu Melara Picado Nunes.

Ao chegarmos, percebemos que apenas nós, mais outro casal, éramos os convidados de honra daquele dia.

“Não costumo receber portugueses nestas visitas, aliás, quase sempre são estrangeiros. Por isso, hoje no último dia do ano, estarem aqui só portugueses, é uma surpresa”, dizia-nos o agora proprietário e gestor de todo o espaço.

Após a visita ao antigo Lagar, ficamos a saber que ali se produzia o “Azeite Castelo de Marvão”, tão pouco conhecido e comercializado na capital. Seguiu-se uma prova de azeites, bem degustada com um pedaço de pão. O que veio a seguir, foi uma revelação.

Depois de uma visita pelo Lagar, chegamos a uma sala, com uma mesa bem guarnecida de várias marcas de azeites, uns mais conhecidos do que outros. Fomos todos provando um pouco de tudo, até chegarmos à conclusão, que alguns daqueles líquidos dourados sabiam a azeite, e outros não. “É isto que andamos a usar na cidade, como tempero?”, perguntávamos uns aos outros. Sim, tínhamos andado enganados, acerca do verdadeiro sabor do azeite.

Naquele dia, pus-me a pensar: quantos cheiros e sensações perdemos, com a industrialização da comida? Passamos, por exemplo, anos a regar as nossas alfaces com um azeite, do qual não conhecemos o seu real sabor. Ficaram-me imensas interrogações a palpitar na cabeça, desde aquele dia. Não é por acaso, que ouvimos falar cada vez mais, num retorno às origens, na necessidade de ressuscitar uma vida autêntica, de comungar com os prazeres da terra. Como será possível, passar pela vida sem realmente saber como sabe o autêntico e puro azeite?

E quem diz azeite, diz muitas outras coisas. Pão. Carne. Ovos.

Tenho a certeza, que estes pensamentos seriam confirmados pelos mais sábios e pelos mais velhos das aldeias. Lá, no fundo, apenas eles conhecem estes sabores primários dos produtos, o que faz deles, verdadeiros guardiões de um tesouro precioso: o sabor!

O sabor…até os romanos saberiam melhor do que nós, qual era o sabor do verdadeiro azeite. Assim sendo, perdemos a luta para os romanos, acho eu…e talvez, se as pedras da cidade romana Ammaia falassem, elas diriam precisamente o mesmo.

Olhando para o website do “Azeite Castelo de Marvão” pode ler-se, que a tradição dos tempos manda pentear as ramas com as mãos calejadas, para se colher a melhor azeitona galega do Parque Natural da Serra de São Mamede. Se calhar é isso que está em falta, neste nosso mundo, tão longe dos prazeres da terra. Já ninguém quer sujar ou magoar as mãos para extrair da vida, um cheiro, um sabor ou um sentimento verdadeiramente autêntico!