Água – a energia espiritual e criativa do mundo

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Será que a Água é uma espécie de corrente espiritual?

Há quem diga que a água possui uma força espiritual capaz de libertar a criatividade e a imaginação, mas esta é uma ideia, que não parece convencer os mais céticos. Contudo, quando desde cedo damos atenção à espiritualidade (às vezes, de forma inconsciente), procurando um significado em todas as coisas vivas, damos por nós, a interpretar o silêncio, e nesse silêncio, a fazer algumas descobertas interessantes sobre a vida. É o que se passa comigo.

Sendo uma pessoa introspetiva, que pensa e observa bastante tudo o que se passa à minha volta, dou por mim a deduzir certos encontros com a espiritualidade, de uma forma, que ainda hoje me espanta. Entre as milhares de perguntas que tenho dentro da minha cabeça, e que certamente que me irão acompanhar durante toda a minha existência, existe uma em particular, na qual penso com alguma frequência: será que a água transporta algum tipo de energia, capaz de ativar a nossa criatividade?

Para vos poder falar um pouco neste tema, tenho que regressar ao meu passado, à minha infância.

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A relação entre a minha infância e a Água

Lembro-me de ser pequena e de já ter uma água preferida: a “Vitalis”.

Apenas um pouco mais velha, é que soube que a água provinha do Parque Natural da Serra de São Mamede, onde era captada e engarrafada na vila de Castelo de Vide (Portugal), que aqui acolhe a fábrica que a distribui para todo o país. A vila onde, todos os verões, passava as minhas férias.

Muitas vezes, imaginamos o Alentejo com as suas planícies amarelas e douradas a perder de vista, sem potencial hídrico, devido à secura da terra. Mas esta imagem não corresponde à realidade, sobretudo nesta zona do Alto Alentejo.

O que é fascinante nesta região, é a sua capacidade de nos surpreender. Temos que atravessar uma planície extensa até chegar a Portalegre (para quem vem de Estremoz): são 70 km através do IP2 sem ver vivalma e, para quem viaja num carro sem ar condicionado no verão, conhecerá certamente o calor tórrido que já apagou inclusive, as inscrições de trânsito no caminho, deixando-as ilegíveis. É este Alentejo que a maioria de nós conhece.

Mas, ao chegarmos à região de Portalegre e ao serpentearmos a Serra de São Mamede, tudo se transforma: o ar torna-se mais respirável, tudo é verde e a vegetação não cabe nos muros, outrora erigidos, num tempo passado.

Para nossa surpresa, chegamos a Castelo de Vide, com a estranha sensação, de que uma criatividade diferente nos inunda a alma. Era isso que sentia, todos os verões, quando passava aqui férias. Nunca fiz desenhos tão belos, como nesta vila alentejana, nunca li tanto, como resultado da inspiração que me trazia esta terra.

Mas afinal, que segredo estava aqui escondido, para que algo despertasse dentro de mim?

Muitos anos mais tarde, li algures que a inspiração se transporta através da água. Que este líquido potencia a nossa veia artística e criativa, que lava pensamentos maus e que regenera a alma. Eu acredito, em tudo isso.

Percebi que lia mais, e desenhava melhor, num sítio com água e que, tendo passado tantos verões em Castelo de Vide, talvez isso tivesse despertado em mim, uma parte que eu desconhecia de mim mesma: um bocado da minha alma. Julgo que existe nesta constatação, algo de verdadeiro, porque são vários os artistas que procuram a região do Alto Alentejo, para viverem e trabalharem. Será tudo uma coincidência?

Ainda hoje, a água “Vitalis” continua a ser a minha preferida, de todas as águas que correm em Portugal. Toda a zona de Castelo de Vide tem as condições propícias com que corram riachos frescos e salutares fios de água debaixo da serra. O ar é inundado por uma frescura, muito pouco típica do Alentejo.

Acrescento ainda, que um banho em Castelo de Vide, é diferente de um banho em Lisboa, na capital. Sentimos aqui que todo o nosso organismo se regenera: o cabelo brilha, a pele parece imaculada.

Eu diria, como amante da natureza, e ser espiritual, para beberem um copo de água “Vitalis” todos os dias. Talvez isso desperte em vocês, com surpresa, um talento que julgavam não existir e que vos trará, certamente, um prazer que não pensavam poder viver.