A Medusa – Pequeno conto

Contos

A Medusa – Pequeno conto

Quando a Raquel nasceu, a sua mãe decidiu logo, que ela não podia ter qualquer peluche, onde se agarrar à noite. Achou, desde o primeiro momento do nascimento, que
a sua filha era demasiado tímida e chorosa, e que por isso, para a preparar para os
desafios da vida, os peluches apenas iriam atrapalhar a educação dura que lhe queria dar.
O pai, pelo contrário, nunca entendeu a decisão da mãe. De todas as vezes que
comprava um peluche para a Raquel, a mãe ia imediatamente ao quarto ao filha, e atirava-o para o lixo. Esta postura da mãe gerou uma grande tristeza e revolta na Raquel, que nunca compreendeu, porque é que não podia ter peluches, como todas as outras crianças.

Um dia, a Raquel viu um amoroso peluche laranja, com uma grande cabeça de urso, à venda numa loja. Implorou ao pai para que ele o comprasse, e ele assim fez. Mas a felicidade da menina foi breve, porque logo a mãe foi ao quarto e o deitou-o para o lixo.

Raquel chorou dias a fio, e o pai decidiu levá-la a ver o mar, para a animar.

“Que grande que é o mar, pai!”, exclamou ela de emoção.

E era – muito, muito grande. De repente, para grande espanto dela, apareceu na água algo laranja a flutuar e era muito parecido, com o último peluche que a mãe tinha deitado fora.

Raquel gritou: “pai, pai, olha, o peluche voltou!”, exclamou ela. “Afinal a mãe, deitou-o ao mar, e ele regressou!”.

Logo, milhares de alforrecas laranjas apareceram na água, e inundaram a praia. O pai disse para a sua querida filha:

“Raquel, todos estes peluches são para ti”.

Hoje em dia, a Raquel é uma fantástica mergulhadora. Todos os dias, nada até aos corais, e o oceano oferece-lhe um presente, com o qual ela sonha todas as noites. O mar, esse, nunca a deixa adormecer sozinha.